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[Miguelito se esforçava nos estudos, mas gostava de jogar bola. Certo dia, ele já estava com as chuteiras nos pés, meião, calção e camiseta, quando Miguel, seu pai, lhe perguntou com voz branda de amor: “E então, você já fez os deveres de matemática?”. “Mas pai, a galera já está no campinho!”, respondeu o menino sem tirar os olhos do pai. “Filho, jogar bola é bom, mas amanhã você tem prova. Se não estudar, ó” (fez um gesto com o polegar para baixo), enquanto exibia um sorrisão de pai amigo. Miguelito tirou o uniforme, pegou a mochila e foi para a sala estudar matemática. Esqueceu-se da bola. A manhã inteira não foi suficiente para pôr a matéria em dia e ele emendou tarde adentro. Era feriado. No dia seguinte, foi para a escola cheio de confiança. Quando voltou para casa, seu pai, taxista, estava na sala conversando com a esposa. Miguelito entrou na sala pulando e gritando com a prova nas mãos: “Dez, dez, tirei dez!”. O pai pegou a folha de papel nas mãos, verificou que não havia nenhuma correção em vermelho e bem no alto, em letras maiúsculas, a nota: Dez. Abraçou-se ao filho, beijou-o na face e disse: “Eu sabia que você ia tirar uma boa nota, mas você foi mais longe e fez por merecer mais um dez. Estou orgulhoso de você, filho. Continue a estudar, que um belo futuro espera por você”.]

De algumas coisas que nos dariam prazer, embora legítimas, nosso bondoso Pai precisa nos privar amorosamente para que alcancemos bênçãos e vitórias maiores, mais importantes para nós. São coisas da graça que, embora às vezes não entendamos, devemos aceitar para o nosso bem. Foi isso que Jesus quis nos ensinar quando nos deu o modelo de oração: “Seja feita a tua vontade assim na terra como nos céus”. Não é raro que a vontade do Pai celestial seja diferente da nossa vontade na terra. Nossa sensibilidade e obediência à voz do Pai impressa em sua Palavra só nos dá alegrias e vitórias. Ao contrário, quando deixamos de fazer na terra a vontade do nosso Pai do céu, só encontramos fracassos na jornada e somos reprovados na escola da vida.

Felizes os filhos que têm pais que os tratam como Deus nos trata. Sem gritos, sem ameaças, sem violência, mas com um sorriso de amor que lhes dá autoridade moral para falarem e serem atendidos e que se alegram com a alegria genuína dos filhos. Deus tem prazer em nós quando vê que sua vontade nos causa prazer. O prazer de Deus é o prazer que a obediência causa aos seus filhos. Ler a Bíblia continuamente é a maneira como podemos ouvir a Palavra que sempre nos mostra que a vontade de Deus, no céu, torna-se boa, agradável e perfeita quando é feita por seus filhos na terra. O Reino de Deus não é um reino de fracassos, tristeza, privações e frustrações, mas um Reino de paz, vitórias e prazer. Mesmo que às vezes tenhamos que descalçar as chuteiras e os meiões e seguir por outro caminho diferente daquele que desejávamos. Diferente, mas melhor, diferente, mas correto, que jamais nos arrependeremos de trilhar. É assim que a graça de Deus nos trata, de vitória em vitória, coisas da graça.

João Falcão Sobrinho,

Colunista de O Jornal Batista.